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ASSOCIAÇÃO DE EDUCAÇÃO E CULTURA ESPÍRITA

GABRIEL DELANNE

François Marie Gabriel Delanne nasceu em Paris, no dia 23/3/1857, ano de lançamento de "O Livro dos Espíritos". Seu pai, Alexandre Delanne, muito amigo de Allan Kardec, era espírita e sua mãe, Marie Alexandrine Didelot, era médium e contribuiu na codificação do Espiritismo. Gabriel foi engenheiro e dedicou-se ao Espiritismo Científico, tendo buscado sua consolidação como uma Ciência estabelecida e complementar às demais. Fundou a União Espírita Francesa, a revista "O Espiritismo", além de ter publicado vários livros. Desencarnou no dia 15/2/1926, aos 69 anos.

Semana 309


O que Jesus quis dizer quando mencionou que “as pedras falarão”?


Alvaro Vargas


Jesus sempre se utilizou de expressões fortes quando desejava imprimir nas mentes ainda limitadas nas questões espirituais, para que os seus ensinamentos ficassem gravados para a posteridade. Após concluir o seu messianato na Galileia, Jesus iniciou a última etapa de sua missão na Palestina, em setembro do ano 32, visitando Jerusalém, onde foi aclamado pelo povo (Lucas, 19:28-40). Os seus discípulos haviam divulgado que ele era o Messias, o salvador de Israel. Sem compreender a real missão de Jesus, os judeus acreditavam que ele seria aquele que os libertaria da dominação do império romano, e festejaram de forma ruidosa esse acontecimento. Um paradoxo, visto que, meses mais tarde, seria abandonado a sua própria sorte, por não atender as expectativas do povo em libertá-los da subjugação romana. Mas, o propósito do Mestre Nazareno não era político, porém, trazer os seus ensinamentos, a fim de que eles superassem as suas mazelas morais.

Nessa entrada “triunfal” em Jerusalém, os fariseus, ao observarem esse movimento simpático a Jesus, dirigiram-se a ele e solicitaram que repreendesse os seus discípulos.  Na sua visão profética (sobre a mediunidade no futuro), ele respondeu: “se estes se calarem, as pedras falarão” (Lucas, 19:40). Considerando-se que, naquele tempo, os mortos eram sepultados em cavidades escavadas nas rochas e, entendendo que Jesus se referiu às pedras como túmulos, fica compreensível o espírito da sua mensagem. Evidentemente, nem as pedras ou os túmulos falam, mas as almas daqueles que partiram para o mundo invisível, que podem se comunicar conosco. Analisando esse episódio, o Espírito Manoel Philomeno de Miranda (pela psicografia de Divaldo Pereira Franco, na obra Nas fronteiras da loucura, cap. 16), cita que Jesus “interpreta em linguagem espiritista como, ao calarem os discípulos do Evangelho, por medo ante as consequências mundanas, pelos preconceitos ou vitimados pelos interesses mesquinhos, como tem acontecido, as pedras que guardam os mortos rompem-se, falam, já que os desencarnados, não mais submetidos às conjunturas terrenas, proclamam a verdade sem peias nem conciliações com o erro”.

Visto que esses Espíritos que se comunicam conosco, nada mais são que as almas dos próprios homens que já desencarnaram, eles guardam o mesmo nível intelecto-moral que possuíam quando deixaram o plano físico. Assim, existem no além-túmulo aqueles que buscam nos auxiliar, e outros, menos evoluídos, que podem nos prejudicar. Os Evangelhos citam inúmeros casos mediúnicos, inclusive, em diversas ocasiões, em que o Mestre Nazareno curou enfermos que sofriam de uma obsessão espiritual, como ocorreu numa sinagoga em Cafarnaum (Lucas, 4:33-37), e com o “endemoniado” gadareno (Marcos, 5:1-20). Mas ele também se encontrou com Espíritos do bem, conforme ocorreu durante a sua transfiguração no Monte Tabor, quando conversou com os Espíritos Moisés e Elias (Mateus, 17:1-9).

As religiões que condenam a invocação dos “mortos”, prendem-se às citações de Moisés (Levítico, 19:31; 20:6; 20:27). Contudo, ele apenas coibiu o uso indevido da mediunidade para fins menos elevados e consultas frívolas. Aprovou, quando utilizada de forma correta, conforme registrado em Números (11:26-29). Ao ser informado que Eldad e Medad profetizavam (comunicação mediúnica), citou: “Quem dera que todo o povo do Senhor fosse profeta, e que o Senhor pusesse o seu espírito sobre ele!”. Isso esclarece que a sua proibição não atingia os médiuns sérios e conscientes dos seus deveres. Os hebreus, antes de deixarem o Egito, vivenciaram um período de mais de trezentos anos de servidão, e na sua maioria, não tinha condições morais de invocar Espíritos, pois, certamente, iriam atrair aqueles pouco evoluídos, que poderiam provocar um processo obsessivo imprevisível. Sabiamente, Moisés proibiu, mas ele mesmo, como médium, sempre manteve uma comunicação com Jeová, o guia espiritual que os conduziu para a Terra Prometida.