François Marie Gabriel Delanne nasceu em Paris, no dia 23/3/1857, ano de lançamento de "O Livro dos Espíritos". Seu pai, Alexandre Delanne, muito amigo de Allan Kardec, era espírita e sua mãe, Marie Alexandrine Didelot, era médium e contribuiu na codificação do Espiritismo. Gabriel foi engenheiro e dedicou-se ao Espiritismo Científico, tendo buscado sua consolidação como uma Ciência estabelecida e complementar às demais. Fundou a União Espírita Francesa, a revista "O Espiritismo", além de ter publicado vários livros. Desencarnou no dia 15/2/1926, aos 69 anos.
Semana 313
Alvaro Vargas
Durante o período em que ficou preso em Roma (60–62 d.C.), o apóstolo Paulo, com a sua experiência sobre as fraquezas humanas, redigiu uma carta à comunidade cristã em Éfeso, visando encorajá-los para superarem as ilusões do mundo material. Nessa correspondência citou: "Desperta, ó tu que dormes, levanta-te dentre os mortos, e Cristo resplandecerá sobre ti". (Efésios, 5:14). Trata-se, evidentemente, de uma figura de linguagem bastante forte, utilizada como exortação urgente, acompanhada da promessa de iluminação divina para aqueles que se dispõem a levantar-se do estado de letargia espiritual.
Nessa carta, ele destacou a diferença entre a vida antiga, caracterizada pelos desvios morais, e a nova vida em Cristo, marcada pela transformação moral. A exortação "Desperta, ó tu que dormes", constitui um chamado urgente para a modificação de nossa conduta. Esse convite permanece atual para todos os cristãos.
Quanto as iniquidades praticadas durante a jornada terrena, a doutrina espírita esclarece que estamos cumprindo um projeto estabelecido na erraticidade, antes de nossa reencarnação. Nada acontece por acaso, e as situações difíceis que enfrentamos estão em conformidade com a tarefa assumida, ou foram provocadas pelas escolhas equivocadas que realizamos nessa existência. São experiências que permitem avaliar, até que ponto conseguimos disciplinar - ou não - os instintos inferiores em prol dos valores espirituais. Vivenciar uma experiência terrena é sempre desafiador, e nem sempre logramos o êxito desejado, e mesmo aqueles bem-preparados para uma missão no plano físico podem fraquejar.
Saulo de Tarso, missionário incumbido de uma tarefa de grande envergadura, perseguiu inicialmente os seguidores do Cristo, até despertar durante o seu encontro com o Espírito Jesus de Nazaré, no caminho de Damasco. Posteriormente, tornou-se o maior divulgador do cristianismo para os gentios (não judeus).
Pedro, por sua vez, mesmo convivendo por vários anos com o Mestre Nazareno, negou-o três vezes na noite em que este foi aprisionado. Contudo, arrependido, despertou para a tarefa a ser empreendida, perseverando até o martírio em Roma. Entretanto, para vasta maioria daqueles ainda presos à sexolatria, ao hedonismo ou ao materialismo, o regresso para a pátria espiritual é doloroso. Como medida educativa, são conduzidos a reencarnações purgatoriais, que poderiam ser evitadas caso superassem as ilusões do mundo material e vivenciassem os ensinamentos de Jesus. Por isso, os estudiosos da consciência humana, ao se referirem a esses indivíduos refratários à espiritualização, afirmam que eles passam a maior parte da vida em “estado de sono”.
Em concordância com essa ideia, o Espírito Emmanuel (XAVIER, F.C. Fonte Viva, cap. 66), afirma que "há milhares de companheiros nossos que dormem, indefinidamente, enquanto se alonga debalde para eles o glorioso dia de experiência sobre a Terra (...) Há muitos irmãos de olhos abertos, guardando, porém, a alma na posição horizontal da ociosidade".
Em outra obra, pelo mesmo médium (Pão Nosso, cap. 68), ele destaca aqueles que reclamam sobre as dificuldades na compreensão e aplicação dos ensinamentos de Jesus, inquietando-se, protestando e rejeitando-o. Em sua visão, esses amigos não percebem que isto ocorre porque permanecem dormindo, vítimas de paralisia das faculdades superiores. Assim, “grandes massas, supostamente religiosas, vão sendo conduzidas através das circunstâncias de cada dia, quais fileiras de sonâmbulos inconscientes. Fala-se em Deus, em fé e espiritualidade, qual se respirassem na estranha atmosfera de escuro pesadelo. Sacudidas pela corrente incessante do rio da vida, rolam no turbilhão dos acontecimentos, enceguecidas, dormentes e semimortas até que despertem e se levantem, através do esforço pessoal, a fim de que o Cristo as esclareça”.