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ASSOCIAÇÃO DE EDUCAÇÃO E CULTURA ESPÍRITA

GABRIEL DELANNE

François Marie Gabriel Delanne nasceu em Paris, no dia 23/3/1857, ano de lançamento de "O Livro dos Espíritos". Seu pai, Alexandre Delanne, muito amigo de Allan Kardec, era espírita e sua mãe, Marie Alexandrine Didelot, era médium e contribuiu na codificação do Espiritismo. Gabriel foi engenheiro e dedicou-se ao Espiritismo Científico, tendo buscado sua consolidação como uma Ciência estabelecida e complementar às demais. Fundou a União Espírita Francesa, a revista "O Espiritismo", além de ter publicado vários livros. Desencarnou no dia 15/2/1926, aos 69 anos.

Semana 317


Origem e Efeitos da Maledicência


Martha Triandafelides Capelotto


Quando pensamos, criamos; quando falamos, imprimimos vibrações que vagueiam pelo ar, espalhando amor ou intolerância até chegar ao seu destinatário.

Ao contrário do que muitos pensam, a maledicência é algo extremamente sério e poderia ser enquadrada no rol das doenças morais crônicas, uma peste emocional, como bem foi definida por Wilhem Reich, na qual nos envolvemos em diferentes níveis.

Na literatura espírita encontramos conteúdo para os mais diversos assuntos e, em matéria de maledicência, eis que me surgiu às mãos uma obra, “Reciclando a Maledicência”, cuja autora, Bianca Ganuza, trata o assunto com muita propriedade.

Diz a mencionada escritora que “durante dezenas de milhares de anos, as primeiras populações humanas viveram praticamente sem grandes mudanças ou avanços comportamentais aparentes. Em um momento decisivo na história da vida na Terra, o advento da moderna mente humana entre os Cro-Magnons desencadeou a revolução do período paleolítico superior. O planeta estava pronto para novos estágios evolutivos! Há cerca de trinta e cinco mil anos, o homem pré-histórico era capaz de usar uma linguagem complexa, desenvolvendo paulatinamente o pensamento, a memória, a consciência e a noção de “si mesmo”. O homem pré-histórico do paleolítico superior era capaz de dialogar e, por essa razão, diversos estudos apontam que a fofoca surgiu nesse período, como uma habilidade de comunicação usada para a sobrevivência”. (obra citada, editora Dufaux, ano 2011, pág. 20/21).

Também a antropóloga americana, Nicole Hess (2009), em um estudo recente, defendeu a tese de que a fofoca negativa (a maledicência) era usada pelo homem pré-histórico, e continua a ser usada por nós até hoje, como uma estratégia de agressividade dentro dos grupos. Ou seja, trata-se de uma forma de violência competitiva, cujo objetivo é ferir a reputação de outra pessoa.

Outro dado muito interessante mencionado pela autora da obra acima mencionada é que “muito tempo depois, conforme o homem foi evoluindo moralmente, a agressão direta entre membros do mesmo grupo começou a ser percebida como algo que trazia desvantagens, tais como as lesões decorrentes das lutas. Era mais vantajoso estar em condições físicas para sobreviver e até lutar contra grupos inimigos.”

Desse modo, quando somos maledicentes ressurge em nós, ainda que de maneira inconsciente, traços daquele homem primitivo, agressivo, disputando para se sobrepor e sobreviver.

Outra colocação importante refere-se ao papel das religiões que já destacavam, em sua maioria, pela necessidade de se fazer o bom uso da palavra, percebida a maledicência como um mal a ser combatido. Só para citar alguns, temos o livro egípcio “Instruções de Amenemope”, escrito há mais de 900 anos AC, no qual traz orientações específicas sobre a virtude do silêncio e os riscos da língua venenosa; na Torá é proibida e é chamada pelos judeus de Lashon Hará, literalmente “má língua”; no Antigo Testamento é apontada como um mal a ser evitado; para os Mulçumanos é um dos piores defeitos morais existentes; no Budismo, há mais de 400 anos AC, Buda ensinou a abster-se da mentira e da maledicência, buscando evitar o mal e fazer o bem, com palavras e pensamentos gentis; Jesus não deixou de nos ensinar sobre a importância daquilo que sai da nossa boca e nasce no coração, com a célebre frase: “Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgado, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós”. (Mateus 7:1-2)

Concluindo, com muito ainda para falar, finalizamos dizendo que apesar das diversas orientações e advertências presentes na maior parte das religiões, a maledicência continua deixando o seu rastro funesto com consequências negativas, a ponto de a ciência agora se ocupar em entender melhor esse comportamento que reina em todas as relações interpessoais.