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ASSOCIAÇÃO DE EDUCAÇÃO E CULTURA ESPÍRITA

GABRIEL DELANNE

François Marie Gabriel Delanne nasceu em Paris, no dia 23/3/1857, ano de lançamento de "O Livro dos Espíritos". Seu pai, Alexandre Delanne, muito amigo de Allan Kardec, era espírita e sua mãe, Marie Alexandrine Didelot, era médium e contribuiu na codificação do Espiritismo. Gabriel foi engenheiro e dedicou-se ao Espiritismo Científico, tendo buscado sua consolidação como uma Ciência estabelecida e complementar às demais. Fundou a União Espírita Francesa, a revista "O Espiritismo", além de ter publicado vários livros. Desencarnou no dia 15/2/1926, aos 69 anos.

Semana 319


A corrupção é uma doença?

 Alvaro Vargas


A corrupção é um dos maiores desafios enfrentados pelos brasileiros. Esse desvio de conduta, que agride o senso moral das pessoas de bem, ocorre de forma sistêmica em todos os níveis socioeconômicos de nossa nação. Em 2024, o Brasil registrou 34 pontos e ficou na 107ª posição, entre 180 países, no Índice de Percepção da Corrupção (IPC) da Transparência Internacional. Trata-se da pior nota e da pior colocação do país na série histórica do índice, iniciada em 2012. Negligenciada por muitos, a corrupção tornou-se, em diversas situações, quase uma norma de conduta, em que o “esperto” é aquele que considera a ética uma questão secundária, sendo a corrupção uma prática aceitável ou até mesmo necessária para o sucesso pessoal e profissional, provocando em parcela expressiva da população um sentimento de viver em um país sem dignidade e sem esperança.

Segundo os estudiosos do comportamento humano, uma das causas da corrupção está na ausência de uma boa educação dos princípios morais e éticos em crianças e jovens, devido à omissão ou incapacidade dos pais em orientá-los. Na visão da psiquiatria, a corrupção pode ser definida como um problema de ordem moral e social. Contudo, considera-se que esse desvio de conduta, em algumas situações, pode estar associado a fenômenos psiquiátricos, em que os indivíduos são portadores de uma personalidade desviante (borderline) – no limite da normalidade – na qual o comportamento transita entre a normalidade e a anormalidade. Assumem que a corrupção é algo normal – “todos são corruptos” – e não têm complexo de culpa, pois seu erro é minimizado, normalizando a iniquidade que foi praticada. Geralmente, apresentam padrões inflexíveis de comportamento, afastando-se das normas sociais e culturais, sem empatia pelo próximo, podendo evoluir para momentos de psicopatia, sem sentimento de culpa, enxergando o outro como um objeto que pode ser manipulado, sendo seu interesse pessoal sobreposto aos interesses alheios.

Contudo, desde o advento do Espiritismo, as informações trazidas do mundo invisível sobre a vida após a vida mudaram a forma como devemos avaliar a jornada terrena. Somos Espíritos imortais, e já tivemos inúmeras reencarnações, adquirindo virtudes e vícios, conforme as escolhas realizadas. Como toda ação tem as suas consequências, as iniquidades praticadas poderão criar lesões no corpo espiritual (perispírito), que poderão se refletir no corpo físico das futuras reencarnações – distonias mentais, câncer, cardiopatias etc. Além disso, os hábitos adquiridos nas existências pregressas estabelecem “condicionamentos mentais” que influenciam as nossas decisões. Mas, ninguém é escravo das más tendências, pois elas podem ser atenuadas, ou mesmo erradicadas da alma.

Quanto aos crimes que foram praticados, ninguém ludibria a justiça divina. O primeiro impacto para o criminoso é no além-túmulo, podendo ser bastante doloroso, dependendo do seu nível de consciência e dos danos causados a terceiros. Nos depoimentos dessas almas, por meio de médiuns, elas descrevem quadros pavorosos das expiações que estão vivenciando, particularmente aqueles que ocuparam cargos públicos e desviaram os recursos destinados à sociedade. Muitos Espíritos que se sentiram lesados e não os perdoaram, os perseguem, submetendo-os a torturas inenarráveis, sendo essa considerada uma das desencarnações mais dolorosas. Afortunadamente, não existem “pecados sem remissão” e, após o sofrimento que serviu para despertar a consciência sobre os crimes praticados e levá-los ao arrependimento, são resgatados dessas regiões infelizes pelos missionários do bem. Após se recuperarem, são conduzidos para novas experiências reencarnatórias, geralmente expiatórias, necessárias para aplacar a consciência criminosa perante a justiça divina. Ainda assim, todos serão convocados a regressar, e a restituir à sociedade os danos causados pela sua imprevidência.